Você está vivendo ou existindo?

pensadorJá parou para pensar que se você não vive o presente, na realidade você não vive, somente existe?
Afinal por que todos os pensadores exaltam a importância de “Viver o Aqui e Agora”?
Porque seguimos os nossos pensamentos que são dirigidos pelo nosso ego que não aceita o presente. Ele vive no passado ou no futuro. Mas ninguém pode – realmente – viver o ontem ou o amanhã.
Esta circunstância ocorre porque nos identificamos com as coisas, com os lugares ou pessoas. Há uma atividade mental incessante que nos impede de encontrar a serenidade interior e que leva os seres humanos à emissão de pensamentos involuntários e compulsivos. É uma multiplicidade de coisas que preocupam de uma forma quase neurótica. E quase sempre sem necessidade.
O que isto nos traz? Frustração, ansiedade, depressão e desesperança, porque ora se está no passado ou ora no futuro.
Há uma perspectiva de maior felicidade no futuro.
Quer um exemplo?
Enquanto nos dirigimos para o trabalho pensamos: …se ele/ela me amar; se conseguir comprar aquele objeto; se der certo aquele novo emprego terei melhores condições; e se receber aquele dinheiro prometido; etc.
Isto acontece continuamente. E se algum desses desejos é alcançado, já ficamos imaginando outras possibilidades no porvir.
Ou então, pensamentos negativos também são alimentados, como: será que terei dinheiro suficiente para aquele compromisso; e se a doença de meu filho piorar; conseguirei prover uma boa renda para a aposentadoria; etc.
A pressa, o estresse, levam a pessoa a fazer uma coisa já pensando em outra tarefa. Está lavando a louça pensando em fazer um café para tomar. Quando está pronto, toma tão apressado que não o saboreia perdendo o momento presente.
E assim, as coisas simples da vida, mas de grande importância, passam despercebidas e a impaciência comanda impulsionada pelo fluxo frenético dos pensamentos.
Parar de pensar é um ato terrível e quase impossível. Quando sentir que sua mente se dissipou, que está distante do que vem fazendo, já indica que deu sinal de estar no presente. Ao perceber que a mente está inquieta, significa que pretende exercer o domínio sobre seus pensamentos. Isto é, seu EU interior assume o comando.
Porém, o que comumente acontece é que as pessoas alimentam seu EGO que projeta sombras de medo e sofrimento. Ao invés de usar a mente, é ela que usa e domina a pessoa. Ela funciona como se fosse um instrumento que se apossa do indivíduo.
Cria sentimentos de apego e obsessão em relação às coisas transformando as estruturas econômicas numa sociedade de consumo onde a única medida de progresso é sempre mais.
Vive-se sob a tirania de pensamentos acelerados, dominadores que tornam a pessoa espiritualmente inconsciente.

“Podemos até ganhar inteligência, mas perdemos a sabedoria, a alegria, o amor, a criatividade e a vivacidade”

(Eckhart Tolle).

Para dar uma guinada nesse comportamento, antes de quaisquer palavras, pensamentos, rótulos mentais e imagens procure vivenciar o EU essencial.
Não que usar os pensamentos seja um problema, mas o importante é não se tornar prisioneiro deles.
Aquilo com que a gente se identifica é mudado continuamente, porque as coisas com o tempo perdem o valor e novas atrações surgem, isto é, o conteúdo se altera. Agora, a compulsão inconsciente de a pessoa se identificar com algo porque psicologicamente sente essa necessidade, é uma postura estrutural que sempre pressionará a pessoa.
Esta tendência à repetição é inevitável porque se vive numa dimensão material onde se alimenta o ego através dessa posse, do poder e apego inconsciente.
É preciso, pois, fixar algumas premissas para conhecer esse complexo processamento mental e com isto, não se deixar dominar para então aprender identificar o momento presente e então desfrutá-lo:

  • somos seres espirituais vivendo uma experiência humana com o objetivo de evoluir;
  • temos como guia fundamental desta entidade a consciência;
  • nada nesta vida é permanente e todos os seres são diferentes entre si, logo, aceitar cada pessoa como ela é, dever fazer parte da convivência;
  • diante disto, é vital não julgar ninguém; não ter resistência interior aos acontecimentos, pois tudo passa e isto leva o ser ao desapego e à aceitação;
  • desfrutar dos prazeres e dos bens sem ansiedade e medo de perdas e sem expectativas;
  • manter-se cônscio de que temos liberdade de escolha e sua aplicação pode dar-se de forma consciente ou inconsciente;
  • compreender quem não se é para que a realidade de quem somos apareça por si mesma.

Henry Sobell disse muito bem porque É preciso saber viver

O que você faz HOJE é muito importante, porque você está trocando um dia de sua vida por isso.
Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito, num mundo que só nos dá um dia de cada vez, sem nenhuma garantia do amanhã.
Enquanto lamentamos que a vida é curta, agimos como se tivéssemos à nossa disposição um estoque inesgotável de tempo.
Esperamos demais para dizer as palavras de perdão que devem ser ditas, para pôr de lado os rancores que devem ser expulsos, para expressar gratidão, para dar ânimo, para oferecer consolo.
Esperamos demais para ser generosos, deixando que a demora diminua a alegria de dar espontaneamente.
Esperamos demais para dar carinho aos nossos pais, irmãos e amigos. Quem sabe quão logo será tarde demais?
Esperamos demais para enunciar as preces que estão esperando para atravessar nossos lábios, para executar as tarefas que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar o amor que talvez não seja mais necessário amanhã.
Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenhar no palco.
Deus também está esperando, esperando nós pararmos de esperar. Esperando nós começarmos a fazer agora tudo aquilo para o qual este dia e esta vida nos foram dados.

 

E John Ruskin afirma:

“A felicidade consiste em preparar o futuro, pensando no presente e esquecendo o passado que se foi triste.”

 

Agora uma sugestão:
Só hoje faça uma coisa que tenha adiado já por muito tempo, telefone para um velho amigo, dê um abraço em quem você gosta, peça desculpas, diga eu te amo, enfim, faça algo que tenha adiado porque pensa que pode dizer ou fazer isto a qualquer hora, então aproveite e faça agora, agora mesmo.
Esta consciência de que se pode fazer e dizer só agora, é fundamental. Você nunca
pode fazer algo ontem ou dizer alguma coisa amanhã, só hoje.
Só que – mesmo percebendo isso – não conseguimos nos livrar de conviver com o
passado ou ficar a pensar em realizações futuras.
A escritora Debbie Ford faz uma afirmação que merece destaque e que explica porque sabemos o que é bom para nós, mas não conseguimos implementar em nossa vida:

“Repetidamente magoados pelas falhas das quais aparentemente não conseguimos nos livrar, rezamos silenciosamente para encontrar coragem de abrir mão da procrastinação, dos gastos excessivos, do chocolate, dos ressentimentos, da língua afiada. No entanto, sucumbimos aos impulsos inferiores, sabotamos os desejos e negligenciamos nosso futuro.”

E deixamos que o ontem permeie nossa atenção e que o amanhã nos encha de preocupação por influência da sombra do inconsciente.
A mesma coisa acontece quando deixamos de lado o profundo desejo de
autoconhecimento que acaba sendo soterrado pela enxurrada de notícias diárias,
dos assuntos de família, da crise de saúde, ou de negócios inacabados.
Essa rotina de sobrevivência diária nos priva da habilidade de usufruir da
qualidade de vida que achamos que merecemos.
Sentimos uma dor emocional profunda que emerge desse contexto e nos faz desejar
o passado e nos torna resignados quanto ao futuro.
Se o passado foi bom, permanecemos nele com nostalgia; se o futuro é incerto e temeroso sentimos ansiedade; e se ele nos parecer promissor, divagamos numa esperança ilusória, porque não podemos viver o futuro.
Só que em vez de olharmos para dentro de nós mesmos, passamos a achar
culpados, fazendo julgamentos sem encarar nossas angústias de frente.
E o EGO dominante surge para mascarar e superar os sentimentos de insegurança
e vergonha, “soprando” que somos inocentes e vítimas.
Então ficamos a pensar em mudar pessoas, ou aquelas coisas para nos sentirmos
melhores. Sim, os culpados, os responsáveis…
Mas saiba que para desfrutar de convivências saudáveis, que é o objetivo básico do seu
caminho evolutivo, é imperativo viver no presente, em reconhecer que é se amando
que poderá dar amor.
Essa postura só será viável se passar a se reger pela sua consciência que passará a governar sua mente de forma consciente, expulsando o domínio do EGO que não aceita o momento presente do qual teme. Ele precisa do ontem e do amanhã, onde ilude a pessoa que não se libertou da rotina do redemoinho dos pensamentos.
O propósito de exercer o comando através do EU MAIOR, leva o ser humano à iluminação.
Assim aprende a focalizar a mente com objetivos práticos, sem ficar ao sabor daquele diálogo interno involuntário e estressante, passando a ter serenidade e domínio interior.
Quando precisar desempenhar tarefas criativas, poderá parar, recolher-se ao seu vazio interior onde a força está à sua disposição com a consciência presente e com o pensamento sob seu controle.
Nesse estado você se liberta das fortes emoções que eclodem da mente para o corpo e do corpo para a mente quando o ser humano está identificado com os pensamentos. Mesmo que não esteja consciente disso.
Diante desse prisma, ao perceber o conflito entre as emoções e a mente, preste atenção ao seu corpo que normalmente sobre isso estará com a verdade.
Permita-se sentir a emoção, mas não deixe que ela assuma o controle.
Fique atento e observe a sensação, suas reações; sinta a energia da emoção, pois a energia interna do corpo é a porta para o Ser.
Há o perigo de uma doença psicológica que o reprime vinculada ao medo de alguma coisa que poderá acontecer, não de algo que está acontecendo no momento.
Você está aqui e agora, porém sua mente está voltada para o futuro.
Isto traz várias consequências como diz Tolle:

“agitação, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, pavor, fobia, etc.”

Ao manter esse foco no amanhã, essa angústia será sua companhia constante.
Não se pode lidar com o futuro que representa apenas uma projeção mental.
Reflita, a emoção é a reação do corpo sob o impacto da mente.
Veja, que mensagem sua mente dirigida pelo EGO está gerando para o corpo nesse estado de ansiedade: medo, é claro, diz Tolle.
Podemos ter medo de perder algo ou o amor de alguém, de falhar, de nos machucar, de não ser aceito num determinado meio, de não estar certo, de fracassar, de ir à falência, da morte e muitos outros.
Mesmo o poder sobre os outros é uma fraqueza disfarçada de força. O verdadeiro poder advém de um estado interior que está ao seu alcance agora.
Daí a importância de aceitarmos o Agora que nos libertaremos da dor, do sofrimento porque submetemos a mente egoica à consciência que é a nossa essência.
O Agora é a única coisa real que todos temos.
Em vez de se fixar no tempo futuro e fazer rápidas visitas ao presente, diz Tolle, faça visitas rápidas ao passado e futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da vida e mantenha o foco no Aqui e Agora sua principal estada de sua consciência.
Que fique claro: nada aconteceu no passado, aconteceu no Agora; e nada jamais irá acontecer no futuro, só acontecerá no Agora.
Se na sua jornada persegue suas metas como uma necessidade obsessiva de chegar, de possuir, de conseguir, perde o sentido de caminhar apreciando a beleza e o milagre da vida.
Como diz Tolle:

“A satisfação está sempre em outro lugar ou restrita a breves prazeres como sexo, comida, bebida e drogas, ou relacionada a uma emoção ou excitação?”

E adiante:

“Você está sempre pensando a vir a ser, adquirir, alcançar, ou, em vez disso, está à caça de novas emoções e prazeres?” “Você acha que, quanto mais bens adquirir, uma pessoa se sentirá melhor ou psicologicamente completa?”

Use sua liberdade natural para se libertar das teias que o prendem, sufocam.
Aceite cada momento como ele é, que é melhor para você. Rompa com o velho padrão de negação. Isto é iluminação.
A sabedoria é você conseguir o equilíbrio entre as emoções que nascem no lugar onde a
mente e o corpo se encontram e estender a consciência emocional com a consciência
mental.

Todos procuram ser felizes, ter prazer, alegria e detestam a dor, o sofrimento.
Tratar a esses dois polos com sabedoria é o verdadeiro sentido de bem viver.
Isto exige uma consciência plena que coloque o ser humano no âmago dos sentimentos e dos pensamentos de forma consciente.
É o desenvolvimento espiritual em ação que leva o conhecimento de que a única forma de viver bem é estar sempre presente, no aqui e agora.
Não se pode adquirir essa consciência sem antes perceber Quem nós Somos neste mundo tão controverso, cheio de conflitos, injusto, desigual e politicamente desumano.
E por vivermos de forma leviana, deixando que o EGO nos comande, seguimos impulsos e desejos oriundos de nossa sombra inconsciente, vivenciando ora no passado e ora no futuro, o maior número das vezes.
Essa forma estressante de viver nem é percebida pela maioria porque está tão condicionada e subordinada às suas crenças e padrões de pensamento, que mantém a rotina diária cansativa sem se dar conta de que está vegetando e mascarando a dor e com ela convivendo.
Um eu acelerado, engessado nos impulsiona para uma gama variada de problemas, mas deixa de lado, procura ocultar, os problemas internos da pessoa.
Não se pode simplesmente dominar, amarrar o EGO e afastá-lo, o fundamental é ter consciência dele para fazer emergir do nosso interior a consciência presente que assume o comando para se ter a verdadeira alegria de viver.
Por isso a importância de ter ciência de que se é um ser espiritual que precisa expressar suas experiências de forma consciente, não intelectualmente, desligados dos seus corpos.
Do contrário, ninguém se torna emocionalmente consciente apenas pensando no assunto. Deixa que fortes emoções surjam tumultuando as relações.
E a forma de vencer seus medos inconscientes é despertar para o Aqui e Agora concentrando sua mente no presente.
Use sua força interior e exerça sua liberdade de escolha para se livrar dos emaranhados mentais.

 

4 comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *