O mundo digital tem mão dupla e não tem fronteira!

detailed-virtual-planet-earth-technological-digital-globe-world-d-illustration-67045637No fundo de toda a busca por coisas, novidades e experiências estão o desejo de se sentir bem, de se relacionar, de ser feliz!
E a causa de que algo que nos acontece de bom nos faz sentir bem é a emissão do hormônio dopamina que é um neurotransmissor, produzido no cérebro, fundamental para a sensação de bem-estar, do prazer e recompensa e amplia a motivação e o foco para a realização. Quando há pouca dopamina podemos ficar apáticos, cansados, desmotivados, mal-humorados, intolerantes e até deprimidos.

Portanto, você já percebeu a importância que a tal da dopamina tem na vida de cada pessoa. Afinal, quem não quer ter prazer e ser feliz?

Mas aqui e agora vou me focar no mundo digital. Sim, a internet é um mundo de coisas e informações. Através dela você tem acesso a praticamente tudo. E os meios para acessar são os celulares, tablets, notebooks, microcomputadores e outros dispositivos.

Reparo que a criancinha não tem um aninho ainda, dois ou 4 anos e já é exposta ao celular ou tablete. Só que os pais não percebem o mal que isso está fazendo a elas. Pois esses pequenos não entendem a diferença entre o que veem ali na tela e a realidade.

Segundo a Academia Americana de Pediatras (citado pelo nº 78, do jornal Cooperforte),
crianças menores de 2 anos não devem ser expostas a dispositivos móveis e acima dessa idade até aos cinco anos, não deve ultrapassar uma hora ao dia.

As crianças em idade escolar ao acessar devem ter os assuntos muito bem selecionados com conteúdo lúdico e instrutivo, pois sua personalidade está em formação.

A multiplicidade de assuntos disponíveis na internet e sem limites (quando os pais não se utilizam de programas que controlem o acesso) disponibilizam aos adolescentes um mundo cujos assuntos são expostos sem fronteiras.

Compete aos pais e aos professores também, orientar os jovens sobre os perigos do mau uso das redes sociais. Não se expor e não entrar na onda de temas violentos, de julgamentos, preconceitos, discriminações e de maledicência, pois a negatividade repetida vai condicionando e cria hábitos perniciosos. Explicar o perigo de responder sim, OK, Publicar ou Confirma, que ingenuamente são acionados e que podem levar ao roubo, bullying, pedofilia e até sequestros, segundo aquele jornal.

Eis mais alguns conselhos do Jornal Cooperforte:

  • Antes de fotografar desative o geolocalizador do celular ou da máquina fotográfica. A informação dos locais onde a criança está ou frequenta pode ser suficiente para alguém mal-intencionado aplicar trotes e até golpes;
    Publicar fotos de criança nua ou tomando banho não é recomendável, pois estas imagens podem ser arquivadas e compartilhadas com os objetivos mais condenáveis. Também não se deve publicar imagens que, no futuro, deixem a criança ou o adolescente constrangido e vulnerável a bullying.
  • Ao publicar foto de seu filho com os amiguinhos, muita gente faz, recomenda-se obter autorização dos pais das crianças. Afinal, é divulgar imagens dos filhos de outras pessoas.
  • Você está preparando seu filho para a vida também. Ele precisa aprender a conviver nos dois mundos: no virtual e no real.

Então, as coisas básicas, fundamentais, para a alegria genuína e a felicidade, devem ser repassadas e repisadas pelos pais e professores, para que se tenha amanhã, adultos que saibam como alimentar seu cérebro para que ele produza a dopamina de forma saudável.

A criança e o adolescente precisam estar cientes de que na vida nada se consegue com facilidade, com jeitinho e sem trabalho honesto. Que aquilo que na internet se obtém instantaneamente, na vida real leva tempo; é preciso aprender com humildade, plantar, regar, colher e compartilhar; aqui, nada se faz sem a outra pessoa; e compreender, respeitar e aceitar o outro como ele é, significa conviver com afetividade.

Hoje temos a nova geração afluindo ao trabalho e se verifica que ela é imediatista e espera ser reconhecida logo, pois se acha especial. Foi o que aprendeu dos pais. Na escola as coisas lhe foram facilitadas; todos tinham boas notas e recebiam as medalhas de participação, como diz Simon Sinek. Agora, no ambiente profissional, parece que as coisas não se repetem como antes…

E o que acontece com esses jovens, pergunta Simon?

Eles não têm ideia do porque o processo corporativo é lento e exige dedicação, criatividade e inovação para que possam produzir e se realizarem, serem promovidos. Sentem uma impaciência surda no seu íntimo. E agora? Há uma aflição desconhecida, é a falta da dopamina. A maioria busca uma compensação no celular, nas redes sociais; precisam ter muitos likes, estar bombando no instagram porque se forem procurados, “clicados” sentem-se bem e a dopamina flui. E dopamina é a mesma coisa que é liberada quando fumamos, bebemos ou jogamos. Ou seja: é ALTAMENTE viciante, diz Simon Sinek.

Mas fumar ou beber, quando somos pequenos, são comportamentos proibidos em casa, há restrições severas dos pais. Mas entrar e navegar nas redes sociais e celulares, não. E isto, segundo o mesmo Consultor inglês, “é a mesma coisa que abrir o bar para crianças e dizer: ‘bebam à vontade’.

E adiante ele diz: “Uma geração inteira está tendo acesso a um anestésico viciante (a dopamina), através das redes sociais e celulares e usando isso para lidar com o stress que é a adolescência. Quase todo o alcoólatra descobriu o álcool quando era adolescente. Quando você é muito jovem, a única aprovação que você precisa é a dos seus pais; à medida que você entra na adolescência, você passa a querer a aprovação de seus pares”.

Tudo isso é frustrante, sim, mas muito preocupante. Como se satisfazem pela bebida, pela rede social, não procuram o contato físico, mas o virtual. Ali parece mais fácil, mais rápido, só que ilusório. E quando tem algum contato pessoal, ele é superficial. Sabem que não podem contar de fato com esses amigos. E os relacionamentos verdadeiros não se consolidam. E a busca pela compensação virtual, ou pela bebida ou fumo, a fim de se sentir bem, é o caminho preferido, porque é fácil e rápido.

Quando não são as redes, são os games e se estes forem muito praticados, também se tornam vícios. O excesso é que tornam as coisas perigosas. Mas como esse jovem percebe isso? Em geral, os princípios e valores quase não chegam ao seu convívio.
Espiritualidade, então, parece algo relacionado com religião e hoje tudo isso é coisa superada, maçante!

Quando está numa reunião na sua empresa, em geral, leva o seu celular e fica atento aos seus sinais. Está parcialmente ligado a ele. Não consegue ficar longe, nem quando vai dormir. Aliás, diz o jovem, precisa do despertador que está no celular; será mesmo?

O entretenimento é como uma paixão, pois aciona a dopamina. Então, busca na internet por filmes, redes sociais, pornografia, games, etc. Agora, estudar, aperfeiçoa-se na sua profissão, ler diariamente livros que constroem e ensinem a viver, despertar o senso da responsabilidade e ter uma participação social e política consciente, acha muito chato e se desinteressa, pois isso não traz a recompensa instantânea.

E o conceito do amor lhe parece algo vago, distante, quando não é confundido com prazer, com sexo. A amizade não tem significado, pois nem desfruta dessa verdadeira alegria. E por quê? Porque amar, ter amigos exige dedicação, plantar e não criar expectativa. E isto demora, não serve, não gera aquele prazer inebriante, mas temporário.

Urge despertar essa juventude generosa que perdeu sua autoestima e não conhece – a grande maioria – a alegria de conviver pessoalmente, a começar em sua casa, em seu trabalho, a como amar e ter o seu lar.

Mostrar que a modernidade não precisa afastar os relacionamentos, a busca de si mesmo no silêncio e que podemos conviver com o mundo digital e com o real com equilíbrio, quando temos consciência de que o crescimento pessoal é uma tarefa diária e necessária para a nossa consolidação como seres humanos.

Ainda é tempo de aprender a se amar para poder dar amor; a respeitar para conquistar amigos leais; a abraçar para manifestar o que sente; de aprender que as coisas sempre estão subordinadas às pessoas; e a conviver com a alegria e a tristeza; que nada na vida é por acaso e que a família é um dom precioso de Deus; que o perdão de si mesmo nos ajudar a ter compaixão pelo outro; e que ser tem primazia sobre o ter.

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