Família – Como manter um dos pilares mais antigos da sociedade forte e resiliente

familia_2Modernamente as pessoas conscientes sabem que precisam desenvolver-se, adquirir conhecimentos e atuar em seu meio social e profissional com inteligência, aproveitando o tempo de forma produtiva.

Por isso, nada melhor, para viver bem esse processo em família, que é preciso primeiro amar a si mesmo antes de qualquer outro ser. Com essa postura, tem condições de se doar em casa com bondade.

Depois, aceitar e compreender que o mundo moderno possui intensidade e complexidade que não podem e não devem ser ignoradas.

Estamos passando por mudanças vertiginosas! Descobertas científicas e tecnológicas e crescimento exponencial da população mundial desafiam os governantes, empresários, educadores e entidades.

E a família? Também sofre os efeitos dessas transformações. A forma da constituição da família está inclinando para novos processos, novos conceitos. Grande maioria se une sem passar pelo noivado e casamento. Decidem morar juntos e tentam a experiência da união confiando no amor e no respeito mútuo.

Desistem das formalidades legais e apostam no sentimento. Presume-se sempre que sua intenção é sincera e a vontade de florescer como família é autêntica. Não julgo, não critico e nem condeno.

Porém, se resolveram morar juntos, espera-se que ajam como família; e como tal, devem ter momentos para se conhecerem cada vez mais; discutirem suas crenças e suas diferenças; decidirem qual a missão da sua união; e qual a forma de educação dos filhos.

Isto é importante, porque se revelam para que haja um conhecimento mútuo e uma aceitação sadia, respeitosa e fortalecedora.

Mas há algo muito importante a mencionar. Os sentimentos devem ser abertos, sinceros e a prática do amor deve ser adotada sem cobranças, carências ou ciúmes que muitas vezes causam mágoas e ressentimentos.

A família precisa estar ciente e consciente de que a vida conjugal se compõe de renúncias e de apoio mútuo. Existe agitação diária em que cada membro familiar está envolvido e deve ser sabiamente administrada.

O grupamento familiar que deu prioridade em adotar uma missão da família, aprovada por todos os membros, submete as suas atribuições, as suas metas e desejos, ao denominador comum do grupo, quando está em jogo o bem-estar coletivo.

Todos procuram adaptar e esquematizar seus horários e suas tarefas àquele propósito. Só assim, os valores e princípios da família são preservados e a sua fortaleza pode servir de apoio para o êxito de cada um individualmente.

E como isso funciona de fato em prol daquela célula da comunidade. Vivendo aquilo que foi acordado, a começar com o amor incondicional. Como ele é decorrente das vontades livres de cada membro, sua prática está estribada no amor que cada um sente primeiro por si mesmo.

Com essa postura em priorizar o sentimento do amor, é mais viável deixar de lado a crítica, a condenação, o julgamento em favor da aceitação. Pode um membro do grupo não apoiar o que faz o outro, mas sua concordância em respeitar a sua liberdade de escolha mantém a unidade e coesão.

Esse tipo de família possui os dias e horários para os encontros conjuntos de avaliação, a fim de acertar os pontos de divergência. Cada membro sabe que a justiça, a verdade e a responsabilidade são o tripé de sustentação do seu grupamento, sabendo que o amor e a liberdade de escolha são dons naturais inalienáveis.

E tem mais, quando outros familiares parentes ou terceiros ligados por amizade são envolvidos por qualquer circunstância, o clã sabe que terá que encontrar uma alternativa que não só solucione o impasse, como mantenha a harmonia familiar. Todos têm consciência de que a ligação com a Divindade prevalece sobre tudo o mais.

O volume de informações hoje é tanto que muitos profissionais acabam ficando estressados. Isto afeta, depois, o relacionamento no lar. Pressiona de tal modo que a pessoa não sente o tempo passar e, mais tarde, vê que não viveu, só passou pela vida.

Quando a espiritualidade é exercida, quando a bondade prepondera no relacionamento, há uma tolerância quase natural mútua que alivia a opressão dos dias exaustivos no trabalho.

O lar deve funcionar como um oásis onde cada um procura haurir energias e desfrutar de momentos gratificantes pela amizade entre todos.

Veja, são coisas simples que podem manter uma união saudável. São comportamentos dignos, de respeito e de solidariedade. Nem sempre todos os membros adotam esses princípios claros porque estão por demais envolvidos com outras coisas.

Mas há algumas condutas que precisam estar bem conscientizadas na mente de todos os familiares: consciência, honestidade e responsabilidade, sob pena de os conflitos fazerem parte do dia a dia.

A preocupação quase obsessiva para ter as coisas, distancia muitos da espiritualidade e da ligação contínua com Deus. Infelizmente é uma tônica do mundo moderno. Não sou contra a possuir coisas, apenas defendo a prioridade do ser como a semente a gerar a verdadeira estabilidade mental e emocional.

A educação no lar recebe um forte concorrente da mídia, da internet, do cinema que estão repletos de informações (muitas delas distorcidas) e exemplos inapropriados. As atrações eletrônicas e a forte proliferação de drogas e pornografia, também contribuem com uma influência muitas vezes perniciosa e perigosa.

A manipulação do dinheiro e o gasto inteligente do tempo precisam estar bem esclarecidos porque os desequilíbrios existentes nesses dois ingredientes podem causar sofrimento, ansiedade, depressão até se tornar numa aflição doentia.

Os familiares precisam estar atentos a um contingente de pessoas lúcidas, solidárias, devotadas à causa comum, desenvolvendo as artes, a cultura, a ciência, a tecnologia, a filosofia e a espiritualidade, que abrem um horizonte de esperança e confiança.

Uma das consequências é que nada no universo é estático, tudo está em movimento. Os membros de uma família possuem estruturas, condicionamentos, interesses, gostos, tendências e inclinações diferentes. Isto não é problema, é até natural. Basta estar consciente disto.

A cada dia, novos traços marcantes influenciam os membros da família. Quando maiores os filhos, também sofrem profundo condicionamento e sentem que precisam viver segundo os costumes do meio em que vivem.

Existem princípios e prioridades. Isto tem que ficar muito claro para todos. É como se planejasse sua forma de viver nos moldes de uma pirâmide. As coisas importantes e fundamentais devem constituir a sua base.

Não sei como anda o equilíbrio em seu lar, mas é preciso tomar consciência de que a melhora do convívio familiar depende da conscientização dos seus membros.

Sabe-se que os problemas são muitos, múltiplos e variados. Ora é a saúde de algum familiar que está precária ou apresenta cuidados; ora é a falta de dinheiro para manter os compromissos mensais; ora o conflito entre marido e esposa ou entre os pais e filhos.

Há um consenso entre muitos pais, professores e profissionais da saúde que o período da adolescência tem se prolongado nos últimos anos. E com esse aumento, as questões típicas da fase podem se tornar ainda mais intensas, para os pais, professores e para os próprios jovens (Ilana Pinsky).

Esse processo está subordinado a dois aspectos fundamentais:

01 – O investimento do Estado na saúde e educação e as questões políticas e econômicas que podem fornecer maior estabilidade às famílias: e

02 – O papel da família a começar dos cuidados durante a gestação, a situação econômico-cultural, o estado da saúde mental dos familiares, o direcionamento educacional e a visão ampla dos pais sobre inúmeros problemas, incluindo o tabaco, álcool e drogas que mais facilmente afetam o cérebro do adolescente.

Importante nesse contexto é existir uma aproximação sadia entre os pais e professores visando um trabalho conjunto para a formação e consciência do estudante.

Por causa dessas influências diretas desde a adolescência (em grande maioria principalmente o álcool e cigarro), a saúde do adulto torna-se precária com prejuízo para um trabalho produtivo e estudo consciente e consistente para o crescimento do jovem.

A busca imediata de novos conceitos e visão dentro da família, envolvendo todos num esforço para compreender cada um e obter a adesão a princípios que podem nortear o destino de todos, deveria constituir – por parte dos pais – em uma bússola que conduzisse o grupo familiar para uma vida de ótima convivência.

Esta consciência deve ser mantida e fortalecida através da prática para evidenciar que apesar da agitação desenfreada da grande maioria, a família pode ser uma fonte de luz e paz.

Como as fases de desenvolvimento do cérebro no jovem não acontecem de forma simultânea, o amadurecimento (mental e emocional) ocorre de forma sequencial. E como consequência, os comportamentos guiados pelas emoções e recompensas são favorecidos em detrimento daqueles norteados por decisões racionais.

Diante da complexidade que é a formação mental, emocional e espiritual da pessoa, um esforço conjunto das famílias, escolas e governo deveria ser desenvolvido para a estruturação consciente desse grupamento social do ser humano.

Sou favorável a um engajamento geral da sociedade, incluindo a mídia para despertar uma consciência global para a consolidação das famílias. Isto – a médio prazo – poderia fortalecer os laços entre o jovem, adulto e as instituições como apoio e esclarecimentos claros, lógicos para que os princípios sejam aceitos racionalmente e a sociedade evolua priorizando o ser para o estabelecimento de uma convivência harmônica.

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